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Em entrevista ao Portal RDNEWS o Presidente da FMF João Carlos Falou tudo sobre nosso Futebol

Foto: Futebol MT - Wagner/João Carlos e Cel.Magalhães

Aos 75, Federação de Futebol convive com déficit, cobra torcedor e diz que sem dinheiro não se chega à Série A
João Carlos, presidente da FMF com renúncia de Carlos Orione, reclama que o torcedor não comparece aos estádios e considera que hoje faltam craques nos times
Responsável por gerir o futebol mato-grossense e representar os clubes estaduais perante a CBF, a Federação Mato-grossense de Futebol (FMF), prestes a completar 75 anos, enfrenta dificuldades para equilibrar o caixa, cobra participação dos torcedores nos estádios e alega que “o futebol regional é bom, mas o que falta é a parte administrativa dos clubes”. Em entrevista ao , o presidente João Carlos de Oliveira comenta estes temas e o que considera acertos do esporte no Estado.

Nascido no interior da Bahia, em Vila Real, João Carlos assumiu o cargo, efetivamente, em fevereiro desse ano quando o “eterno” presidente Carlos Orione pediu renúncia do cargo devido a problemas de saúde. Ele tocava a FMF desde 1977. Com a vacância da cadeira, conforme o estatuto, quem assume é o vice-presidente mais velho dentre os quatro que compõem o quadro.

Federação Mato-Grossense de Futebol, que foi fundada há 74 anos
“Como eu era o mais velho assumi, mas eu costumo dizer que comecei no futebol como jogador em 1977, quando tínhamos um futebol pujante. O Verdão recebia 40 mil torcedores. Naquela época era diferente, pois não havia essa comodidade de TVs transmitindo os jogos e além de ser uma das poucas opções de entretenimento”, destaca João Carlos.
Para ele, embora existam hoje grandes nomes brasileiros atuando no futebol Europeu, os craques acabaram.
“Nas décadas 80, 90, haviam mais craques no Brasil inteiro, o futebol tinha mais força. Atualmente, nós não temos craques. É um futebol muito competitivo, corredor, não existem aqueles jogadores clássicos, com ginga, aquela malícia do cara saber driblar. Tudo é uma questão de força agora”, avalia.
Força também é o que faz a Federação para se manter ativa. Mesmo recebendo uma verba fixa por mês da CBF, dispensando funcionários (seis foram demitidos neste ano) e promovendo “rodadas duplas”, a entidade tem trabalhado com déficit que varia de R$ 10 mil a R$ 15 mil por mês. Fechou 2015 com R$ 90 mil de saldo negativo. “A verba que recebemos mal cobre a folha de pagamento e todas as Federações recebem o mesmo valor, tanto a paulista quanto a carioca, da mais rica a mais pobre”, explica.
Utilização da Arena
Torcida de MT na Arena Pantanal
Torcida de MT na Arena Pantanal
João Carlos cobra que a Arena Pantanal seja liberada logo para sediar grandes partidas de futebol
Para tentar cobrir as despesas, que variam desde a contração de segurança particular, ambulância e “bilheteiro”, a FMF busca trazer grandes jogos para a Capital, mas a Arena Pantanal precisa estar liberada para tanto, com as licenças em dia. “Para tapar esses débitos tentamos com a ajuda de empresários trazer jogos de maior visibilidade, pois não temos nenhum tipo de patrocínio, tivemos no campeonato estadual com a TVCA, mas foi o único, confiamos em alguns possíveis patrocinadores, mas na hora os contratos não foram fechados”.

O presidente esclarece que, embora a Arena Pantanal tenha toda estrutura necessária para a realização de jogos, os custos são altos, pois envolve um número maior de terceirizados. Cita que o jogo entre Luverdense e Vasco, pelo campeonato Brasileiro da Série B, neste sábado, no Passo das Emas, em Lucas do Rio Verde, envolve contratação de cerca de 200 profissionais. Já se essa mesma partida fosse realizada na Arena, com presença de 30 mil pessoas, deveríamos escalar 1,3 mil para o trabalho de logística.

Uma das alternativas para baratear os custos e diminuir o número de terceirizados seria o Eurico Gaspar Dutra, o Dutrinha, mas o estádio localizado no centro da capital não está em condições de uso. “A prefeitura não nos ajuda e a secretaria estadual das Cidades não termina o projeto. Precisamos contar com ajuda de pessoas de fora, como o Mário Cândia, por exemplo, buscando meios para a reforma do Dutrinha, afinal, fica humanamente impossível fazer todos os jogos na Arena”.

João Carlos alega que a Federação e os clubes não querem dinheiro público, mas incentivos por meio de parcerias. “Acho que o prefeito Mauro Mendes deveria olhar com mais carinho, como também o secretário de Esportes, Beto, para o estádio Dutrinha, pois isso aqui é um patrimônio. Quando foi época da Copa-2014, disseram que seria um centro de treinamento, mas não aconteceu. O futebol não pede mais nada do que isso aí”, afirma.
Cobrança ao torcedor
Torcida do União
Torcida do União
Sede da FMF, no centro de Cuiabá; presidente João Carlos diz não admitir pecha de que entidade representa retrocesso do futebol
Outro fator importante para fomentar o futebol mato-grossense, bem como angariar fundos, é o comparecimento do torcedor nos estádios. E, nesse caso, João Carlos cita outra parceria que considera viável para o comparecimento do torcedor: a liberação de ônibus nos dias de jogos. “Não precisa ser de graça, mas que tenhamos uma parceria para que o torcedor possa chegar com facilidade ao estádio e voltar para sua residência em segurança”, comenta.

A FMF contratou uma consultoria para identificar quais são os gargalos. O diagnóstico fica pronto neste ano. De antemão, o presidente afirma que as rodadas duplas nas segundas, a partir das 18h, vão retomar. “Essa medida visa facilitar os custos e atrair o torcedor, já que no domingo tem futebol na TV, fora que o torcedor do interior tem se mostrado bem mais participativo e atuante, batendo todos os recordes de público”.
Sonho da Federação é construir nova sede, conforme projeto reproduzido acima, mas vê falta de caixa
Quando questionado sobre o que falta para um time mato-grossense subir à Série A, o presidente da FMF é enfático ao afirmar que é preciso melhor o orçamento e a parte administrativa dos clubes. Para ele, não basta o clube apenas “jogar”. É necessário trabalhar a questão da logística, ter gestão própria com visão de negócio. “O nosso futebol é bom, o que falta é a parte técnica. Os clubes muitas vezes esperam só da Federação. Isso é errado. O clube tem que ter gestão própria, ser independente, porque o papel da Federação é gerir as competições e não ficar cuidando de clube”, dispara. “Queremos só que nos ajudem, Estado, empresários. Aí veremos um time nosso na Série A, pois sem dinheiro é impossível”.
Críticas
Quanto as críticas disparadas à Federação, entre elas de que a entidade representa um retrocesso para o futebol mato-grossense, o presidente discorda de forma veemente. Alega que a FMF que conduz é 14ª hoje no país dentre as 27 existentes. “Esse tipo de comentário é infeliz. Somos fortes e estamos a frente de 13 Estados. Quanto ao futebol, temos o Luverdense na Séria B, o Cuiabá será C, o Sinop e Araguaia na D. Infelizmente fizeram campanhas pífias e não compete à Federação bater um pênalti ou um tiro de meta. Compete ao dirigente fazer um planejamento e ao torcedor ajudar o clube”.

Para ele, o torcedor que só crítica deveria participar mais do futebol ajudando seu clube “in loco”. “Ajude na administração, dê um palpite, participe, porque torcedor de cadeira temos bastante, mas agora aquele que vai lá e ajuda é muito difícil. Eu convido também para que venha nos ajudar, conversar. Temos uma casa aberta e sempre fui a favor do diálogo”.
Novas eleições
Conforme o novo estatuto, eleições para renovar a diretoria na FMF devem acontecer a cada quatro anos. João Carlos tem até 26 de maio de 2017 para convocar uma nova eleição. Todos os clubes que estão regularizados perante a Federação podem votar. Ao todo são 12 times na 1ª divisão e outros oito na 2ª divisão.
Fonte: SportSinop/Valcir Pereira     e Futebol MT    
Fotos: Redação/SportSinop

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